terça-feira, 20 de junho de 2017

12. As consequências de Lucas



                Na primeira noite Lucas havia dormido muito mal, os gritos, tanto da mulher quanto da sua irmã, ecoavam em sua mente, só após se entupir de soníferos que ele conseguiu dormir. O segundo dia tinha sido difícil, por ter tomado tanto remédio, ele custou para acordar e quando conseguiu já era tarde da noite. O terceiro dia foi bom, ele conseguiu acordar num horário normal, e o seu pai lhe chamou para acompanha-lo na empresa e foi nesse dia que ele decidira: Não iria deixar aquele acidente abala-lo. No mesmo instante ele se aprontou e saiu de casa, voltaria com seu negócio como traficante e desta vez procuraria a ajuda de alguém, e graças a algo que acontecera na empresa do pai, ele já sabia muito bem a quem chamaria. O quarto dia parecia promissor. Envolto em dinheiro, Lucas dormira como um bebê, sem remorso, pesadelo ou angustia, após uma noite com Rebecca no luxuoso prostibulo, ele havia faturado bem, mesmo contando com o valor pago a Rebecca, ele tinha uma margem de lucro favorável. Porém assim que chegou a mesa do café da manhã seu animo decaiu.
                Sua meia-irmã, Jade, estava um verdadeiro caco, era bem claro que ela não havia superado o que acontecera.
                O pai estava sentando a mesa, concentrado em seu jornal nem mesmo viu quando o filho se aproximou, a mãe dele tomava com seu café com cara de nojo, ela olhava para a filha postiça e fazia caretas de reprovação. Apesar de sempre ter cuidado da garota, ela nunca gostou muito da menina, e agora, que a mesma se deteriorava, o horror que a mulher sentia estava aumentado.
                – Bom dia, Lucas. – o pai o cumprimenta, assim que se permite distrair um pouco jornal. – acordou disposto hoje? Pois precisarei de você na empresa novamente. – anunciou.
                – Claro, pai. – Lucas sorri fraco, ele não queria ir, mas não poderia falar não, por mais que esteja faturando bem, ele só pretende se rebelar quando já for tão rico quanto o próprio pai.
                – Ótimo, sairemos daqui uma hora, então não demore muito nesse desjejum. – diz e volta a ler seu jornal.
                Enquanto Lucas começa a se servir, Jade se levanta sem tocar num pedaço da comida e sem dizer nada, ela se refugia em seu quarto.
                – O que aconteceu com essa garota? – pergunta o pai.
                – Não sei, já faz uns dias que ela está assim. – a mãe dá de ombros.
                – Você deveria saber. – pai reclama. – Você é a mãe.
                – Não. – a mãe contesta. – Você é o pai.
                – Eu trabalho, você fica em casa, você tem como única obrigação cuidar das crianças. – ele ignora o que a mulher diz.
                – Crianças? – Lucas pergunta rindo, querendo acabar com o clima de briga.
                – Crianças. – o pai confirma. – Você por acaso trabalha e conquista o seu próprio dinheiro?
                Sim.
                – Não. – mente.
                – Então, sim, você ainda é uma criança. – diz duro.
                – Como achar melhor. – Lucas diz divertido.
                – Se você continuar a agir assim, talvez eu repense sobre o seu cargo na empresa. – seu pai se estressa. – Não vou dar minha cadeira para alguém que não leva nada a sério.
                – Você nunca vai dar sua cadeira a ninguém. – Lucas diz monótono.
                – Eu... – o pai começa a gritar, mas a mãe o interrompe gritando ainda mais alto.
                – Pelo amor de Deus, será que não podemos ter um café da manhã em paz? – bufa. Os dois homens se entreolham assustados com a reação da mulher.
                – Acho que vou me arrumar. – Lucas diz, largando uma torrada comida pela metade, no prato a sua frente. – afinal, preciso mostrar seriedade para roubar a cadeira de meu pai. – ele diz e ri.
                Antes de sair Lucas pode jurar que escutou o pai rosnar.
               
                Antes que chegue a seu quarto, Lucas passa na frente do quarto de sua irmã, que deixou a porta entreaberta.
                Ele hesita, mas adentra ao local.
                O quarto está com as luzes apagas e com as cortinas fechadas, como elas tem blackout, o lugar está escuro, mesmo estando dia.
                – Ei, dá para você parar de agir assim? – ele tenta pedir da maneira mais delicada possível.
                A irmã está sentada em sua escrivaninha, lá o abajur está ligado e é o único ponto de luz no local.
                – Me desculpe se não consigo ser tão insensível. – ela rebate.
                – Não é ser insensível, nós fizemos o que pudemos, não tinha o que fazer naquele momento. – ele diz se aproximando mais ainda da irmã.
                – Não tinha? – ela pergunta, se levantando e encarando o irmão. – será que não tinha mesmo?
                – Não tinha. – ele garante.        
                Jade pega algo de cima da escrivaninha e entrega ao irmão. É um pedaço de jornal, nela apenas uma notícia e o título diz: Família sobrevive a gravíssimo acidente em rodovia.
                – Alguém os encontrou logo após a gente sair, e chamou o socorro. O carro não explodiu, o fogo se manteve apenas na parte dianteira do carro, e pegou apenas as pernas da mulher, que teve 89% das pernas queimadas, ela está em estado grave, mas estável, o bebê foi retirado com vida e está na UTI neonatal, os médicos dizem que a chance de sobrevivência é grande, o homem está internado, sem risco de vida, mas ele perdeu os movimentos da perna, os médicos acreditam que ele não perdeu os movimentos por causa da batida, mas sim por causa do atropelamento que ele sofreu, ao ir pedir ajuda na estrada. – Jade resume. Lucas olha para a irmã, boquiaberto, não podia acreditar que ela estava falando a verdade. – A mulher está sobre efeito de fortes medicações, por isso não pode dar depoimento, a polícia estava esperando o homem se acalmar, para fazer o retrato falado do atropelador que negou socorro, pois negar ajuda a vítima, após atropela-lo, é crime. –a irmã continua. – Isso foi há quatro dias, então eu acredito que o depoimento do homem já deve ter sido feito. – ela faz uma pausa. – Eu não estou agindo assim apenas pelo que aconteceu, irmãozinho, eu estou assim porque já sei o que vai acontecer em breve.
Continua

Capítulo postado, espero que tenham gostado.

Obg. 

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