terça-feira, 13 de junho de 2017

11. As Consequências de Rebecca

Durante as férias
               

                Rebecca sorria enquanto reexperimentava as roupas adquiridas no dia anterior, ela nunca dera tanto valor a roupa nova como dava agora, pois hoje ela sabe o real valor que elas têm.
                 A hora de voltar à luxuosa boate, de clientes especiais, já estava chegando e ela se arrumou com ainda mais emprenho. O vestido é mais justo, o decote levemente mais acentuado, o perfume mais forte.
                Assim que fica pronta ela vai ao quarto do pai, ele está jogado em sua cama e totalmente desacordado, ela nem mesmo precisa chegar perto para sentir o cheiro de álcool que flui de seus poros.
                Rebecca tem que suspirar fundo umas duas vezes antes de conseguir sair dali sem chorar.
                Desta vez ela vai sozinha, de táxi. Sim, ela tinha que economizar, e se não fosse um lugar longe, ela até iria a pé, mas nunca, jamais, em hipótese alguma, ela se sujeitaria a entrar num transporte público.
                Assim que chega à boate, ela termina de se preparar, colocando a mascara em sua face. Ela adentra no salão, e o local já esta cheio de clientes, Rebecca procura, mas não encontra a Lucas, ela fica sem saber o que fazer. A garota não tem nem mercadoria, nem a lista com os nomes dos clientes.
                Rebecca pega seu celular para entrar em contato com Lucas, mas antes que tivesse a oportunidade de discar o número completo, alguém a aborda.
                – Nada de celular dentro do salão. – a pessoa diz. Rebecca olha para a dona da voz e percebe o mal intendido, ela já havia visto aquela mulher falando com as garotas que trabalhavam ali. Lucas havia explicado que ela é a dona do estabelecimento, ele até tinha falado seu nome, mas ela não lembrava mais.
                A mulher é alta e bem magra, sua pele é negra e lisa, quando as luzes dos refletores tocam em sua pele, sua pele brilha de tão uniforme. Ela tem a cabeça raspada, e isso deixou Rebecca confusa no primeiro dia, pensava que a dona do lugar tinha alguma doença, mas Lucas logo esclareceu que não era por isso, a careca era por vontade da negra e não uma consequência de alguma doença.
                De perto, Rebecca podia ver os grandes cílios e a boca carnuda da dona do local, o brinco que ela usa é grande e de aparência pesada, mas é um brinco muito bonito. Seu corpo esguio é coberto por um vestido de alcinha, preto e longo, e um decote grande que quase chega a seu umbigo, completa seu visual.
                – Eu não trabalho aqui. – a garota diz.
                – Trabalha sim. – a mulher responde. – Junto a Lucas. – sorri e revela dentes extremamente brancos e grandes. – Não tente me enganar, eu sei de tudo.
                – Mas eu trabalho com o Lucas, não sou... – ela hesita em dizer a palavra que tem em mente.
                – Uma prostituta? – a mulher levanta uma das sobrancelhas. Rebecca engole o seco, no fundo ela tinha esperança que o local fosse apenas para bebedeiras e diversão, não esperava que aquelas meninas fossem realmente garotas de programa. – Eu sei muito bem o negocio que você e o Lucas fazem. Não gosto, mas aceito porque me traz mais clientela. – a mulher começa. – a questão é que quando era só ele, tudo estava bem, mas agora, com você...
                – O que tem eu? – Rebecca se assusta.
                – Estes homens pagam fortunas para terem a noite de estreia da ‘garota nova’ e, teoricamente, você é a ‘garota nova’. – a mulher explica.
                – Mas meu trabalho é outro. – Rebecca deixa claro.
                – Eu sei. – a mulher diz. – Mas eles. – diz apontando para os clientes no local. – eles não sabem. Muitos não se importariam em descobrir a verdade sobre você, mas outros não reagiriam da mesma forma. – a mulher se põe frente à Rebecca, obrigando a garota a olha-la. – Eu construí esse lugar do zero, uma lugar onde homens da classe alta pudessem realizar seus desejos mais obscuros sem temer, eu não vou deixar que você e aquele moleque do Lucas estraguem isso. – a maneira em que a mulher fala deixa Rebecca arrepiada.
                – O Lucas pode conversar com eles, só espere ele chegar. – Rebecca não sabe o que dizer.
                – Você confia muito no garoto e isso não é bom. – a mulher diz. – conheço pessoas como ele. Ele não se importa, Rebecca.
                – Mas ele me contratou. – Rebecca continua nervosa.
                – Eu sei. – a mulher sorri. – Mas, pelo jeito, esqueceu-se de lhe avisar que ele não vem todos os dias. – informa e solta uma gargalhada ao ver a cara de Rebecca. – Ele só vem quando precisa, portanto, você está aqui sozinha hoje. –diz.
                – Então é melhor eu ir. – ri nervosamente.
                A dona do estabelecimento não abre passagem para que a garota saia.
                – Se você está aqui é porque precisa do dinheiro. Correto? – a mulher pergunta e não recebe uma resposta. – Imaginei. – sorri amigável. – Muitas que estão aqui são como você, bem de vida, mas que estão falidas, ou simplesmente são rebeldes. Eu não pego qualquer uma na rua. – diz orgulhosa.
                – O que o Lucas falou com você? – Rebecca pergunta nervosa, querendo bater no rapaz que a trouxe neste lugar, na noite anterior, afinal, ele havia prometido que não contaria sobre a falência de seu pai a ninguém.
                – Ele não precisou falar nada. – a mulher diz. – Só de olhar sua pele, seu cabelo, suas roupas... Só de você andar com o Lucas, eu vejo que não és uma traficante pobre, você não está aqui porque precisa alimentar a família inteira, ou por má influencia, pois vive numa vizinhança perigosa. Você não está aqui porque não teve uma boa educação. Ou você está sem dinheiro, e decidiu pegar o caminho mais fácil, ou você quis colocar um pouco de adrenalina nesta vida vazia, mas cheia de luxo, que você leva.
                – Você parece saber demais para o meu gosto. – Rebecca se irrita.
                – Já você não parece nem saber meu nome. – observa. – Virginia. – estende a mão para, finalmente, cumprimenta-la. Rebecca não retribui. – A questão é, os lances em você já estão em 7 mil...
                – Espere. – Rebecca a interrompe. – Você está me leiloando?
                – Você que apareceu aqui, não é como se eu tivesse o controle.
                – Você mesmo disse que é a dona do lugar...
                – O sistema aqui é simples. – Virginia a interrompe. – Uma garota de mascara aparece, os lances são dados, quem der mais leva a garota para o quarto, é algo simultâneo, automático, uma regra da casa, se você não tivesse colocado esta maldita mascara, nem se achegado nos homem ontem, nada disso estaria acontecendo. Mulheres de cara limpa não são para dar lances, mulheres de máscara são. – Virginia diz firme e Rebecca novamente fica calada. – Você não foi para cama com nenhum cliente ontem, por isso seu valor aumentou consideravelmente, caso você seja virgem eu consigo triplicar o valor em um minuto. – a mulher sugere.
                – Eu... Eu não sou... – Rebecca responde sem nem saber o porquê. Virginia faz uma careta.
                – Nem sei por que pergunto, vocês nunca são... – lamenta.
                – Eu sou menor de idade. – Rebecca se surpreende ao lembrar-se disso, sua menor idade nunca a impediu de fazer nada antes. Ainda faltavam três semanas para seu aniversário, onde ela se tornaria, perante a lei, uma adulta.
                – Isso sem duvidas duplica seu valor. – Virginia diz como se não escutasse o absurdo que acabara de dizer.
                – Isso é... – Rebeca está chocada com tudo isso.
                – Nojento e ilegal. – Virginia confessa. – Mas eu não disse que esses homens são santos, eles amam uma virgem e adoram uma novinha. É repugnante, mas é lucrativo. – diz. –Eu não vou lhe obrigar a nada, Rebecca, mas quero que saiba, a ‘garota nova’ sempre recebe o valor integral e em dinheiro vivo, se você aceitar eu ainda consigo aumentar seu valor. – Rebecca não podia acreditar que realmente estava pensando em aceitar. – Beba um pouco, disfarce o nojo, faça barulho, no fim, diga que ele foi o melhor de sua vida e vá embora para casa com muito dinheiro na bolsa. – aconselha e sorri.  – Eu tenho o seu sim?

Continua


Novo capítulo postado, espero que gostem.

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